Passada a Copa do Mundo mais esquisita de todos os tempos, com Vuvuzelas e (Jabulaaaaaaniiiis!) que ficam descontroladas a mais de 72 km/h, é hora de respirar fundo e falar sobre o tema. Como toda brasileira, também dei palpite como “técnica da seleção” , também xinguei, chorei, esperneei , lamentei. Tive que esperar a Argentina sair e a Copa do Mundo terminar para conseguir falar sobre o assunto. Mas não podia deixar passar um tema tão rico e interessante para a gestão de serviços: SELECIONAR UMA EQUIPE DE TRABALHO. Não irei entrar no mérito se nosso Ex (que acreditava que seria futuro) técnico Dunga acertou ou errou, até porque AMO futebol , mas não sou especialista no assunto.
Na prática e trazendo um pouco para nosso “mundinho”, eu diria que escolher uma equipe de trabalho adequada, é MEIO CAMINHO ANDADO para o sucesso. Boas práticas de gestão de serviços de TI dizem que é preciso ter atenção para 3 pontos especiais…PESSOAS, PROCESSOS, TECNOLOGIA… e não é á toa que o termo PESSOAS aparece na frente.
PESSOAS… porque relacionamentos humanos são tão complicados? Aceitação de processos e mudanças culturais estão ligadas diretamente a pessoas. Tem que ser bom de bola, ter conhecimento técnico, muitas certificações? Sim, é super importante. Tem que ter um técnico disciplinador, que mostra o caminho e que ensina os profissionais a crescerem e a trabalhar como equipe? Sim é importante. Mas eu diria que outras lições são também essenciais e que foram durante aprendidas pelo Brasil em 2010. São elas:
1. Tenha uma visão realista dos fatos. Implementar gerenciamento de serviços não é uma coisa fácil de se fazer (tampouco ganhar uma Copa do Mundo). Envolve sentimentos , mudanças culturais, vaidades, competências e incompetências. Seja realista: quando as coisas não estiverem indo bem, não diga que está fazendo seu melhor, que está trazendo alguns resultados, que vai crescer ao longo da competição. Ninguém cresce ou melhora, fazendo sempre a mesma coisa, jogando sempre com o mesmo time e com a mesma estratégia. Mude a estratégia para jogar bonito, para ter toque de bola perfeito, para que os resultados apresentem eficiência e eficácia.
2. É preciso ter um banco de reservas tão bom quanto o time titular. Seu principal atendente de incidentes saiu de férias e seu mundo virou um verdadeiro caos? Bem vindo ao mundo da seleção brasileira, onde o Elano machucou e não tinha nenhum jogadorzinho mediano para substituí-lo. Normalmente com gerenciamento de serviços é assim: temos um técnico de TI “estrela”, que quando deixa o trabalho, sai de férias ou fica doente, é caos na certa. O nome disso é falta de documentação, treinamento, processos e dependência direta de pessoas (falta de reservas de qualidade).
3. Aceite quando as coisas não estão indo bem e tente entender o porquê. Estude seu adversário. Ações automáticas , levam ao erro, a jogadas manjadas, a defesas fáceis , a time inofensivo que não ganha de ninguém, que não tem sucesso. Identifique porque realmente SEU TIME não está atingindo sucesso. Falta uma boa estratégia? Falta trabalho em equipe? Falta “aquele” Romário ou Ronaldo, que podem fazer gols nos momentos de “aperto” e desequilibrar? Qual a causa raiz da sua falta de sucesso? Gerencie o problema.
4. Ganhos rápidos são importantes, mas não se esqueça da entrega final e nunca perca o objetivo de vista. FAZER UM BOM PRIMEIRO TEMPO , não significa que o jogo está ganho! Definitivamente, é preciso não relaxar nunca, se você tentou implementar um processo e ele está sendo um sucesso, tenho uma triste notícia para te dar: isso pode durar apenas um “primeiro tempo” , apenas um mês, alguns meses ou até que ele “caia de moda” quando todos os usuários que foram treinados esquecerem como deve ser e o que aquilo pode trazer de bom para a organização. Eles voltarão rapidamente a fazer da maneira mais fácil ou da forma como sempre fizeram… ou seja, treine, retreine , continue jogando forte, mesmo que seja 45 minutos do segundo tempo, só relaxe quando o apito do juiz soar. O jogo só termina, quando termina e a regra é clara: tenha sempre o objetivo final em mente.
5. Tenha controle emocional. Sua equipe precisa ter o mínimo de controle emocional, para aceitar algumas derrotas, muitas resistências, muitas risadas e comentários de que processos são dispensáveis e mesmo assim continuar jogando e buscando gols. Fazer um gol contra ou tomar um gol são situações normais no jogo, mas descontrolar-se , ficar perdido em campo ou desistir de jogar tem um único significado : DERROTA E ELIMINAÇÃO.
Sim, estou falando obviamente da seleção brasileira nessa Copa. Mas posso também estar falando da minha, da sua e de todas as equipes que trabalham com gestão de serviços de TI. E o lado bom é que, ao contrário do Dunga, ainda temos chance de consertar aquilo que erramos (se não formos tão teimosos, é claro!) e não precisaremos esperar até a copa de 2014 para novas disputas e vitórias.
Faz parte do jogo, estar aqui, na disputa diária, marcando e sendo marcados, fazendo e levando gols.
Até 2014, no Hexa, em casa!







